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Terapia por Contensão Induzida

A Terapia por Contensão Induzida (TCI) é uma abordagem de reabilitação neurológica utilizada principalmente para tratar pacientes que sofreram lesões cerebrais, como acidente vascular cerebral (AVC), e apresentam hemiparesia (fraqueza de um lado do corpo). O protocolo original foi desenvolvido pelo neurocientista Edward Taub, na Universidade do Alabama (EUA).

A técnica se baseia na ideia de “não uso aprendido” do membro afetado — ou seja, o paciente para de usar o lado comprometido por causa da dificuldade, o que agrava a perda de funcionalidade. A TCI visa quebrar esse ciclo ao estimular o uso do membro enfraquecido.

Promover a recuperação funcional do membro afetado.

 

Estimular a neuroplasticidade, ou seja, a capacidade do cérebro de se reorganizar e formar novas conexões.

 

Melhorar a coordenação motora e o controle do movimento.

 

Reduzir a dependência de dispositivos de apoio ou da ajuda de terceiros.

 

Aumentar a autoconfiança do paciente em tarefas do dia a dia.

  1. Restrição do membro não afetado: geralmente com uma luva, tipoia ou outro dispositivo, com segurança, durante um período de 2 a 3 semanas..
  2. Treinamento intensivo do membro afetado: com atividades repetitivas e específicas (como pegar objetos, empilhar blocos, vestir-se), sob orientação de um fisioterapeuta ou terapeuta ocupacional.
  3. Reforço positivo e feedback: encorajando o paciente ao longo do processo.
  4. Transferência para atividades da vida diária (AVDs): como pentear o cabelo, escovar os dentes, usar talheres, etc.

Em crianças, como nas que têm paralisia cerebral hemiparética, a abordagem é adaptada com atividades lúdicas e envolvimento da família.

Avaliação inicial: inclui testes de força, coordenação, amplitude de movimento e funcionalidade do membro afetado.

 

Ferramentas comuns de avaliação:

 

    • Motor Activity Log (MAL)
    • Wolf Motor Function Test (WMFT)
    • Box and Block Test
  • Nine Hole Peg Test

 

Acompanhamento contínuo: com reavaliações periódicas para ajustar o plano terapêutico e garantir progressos.

 

Relatórios clínicos e feedback são usados para medir o desempenho e engajamento do paciente.

 

  • Fundamental para o sucesso do tratamento, especialmente em crianças.
  • A família ajuda:
    • A reforçar o uso do membro afetado em casa.
    • A manter a adesão ao uso da contenção.
    • A motivar e dar suporte emocional ao paciente.
  • Pais e cuidadores são frequentemente treinados para aplicar e monitorar as estratégias fora do ambiente clínico.

Pessoas com hemiparesia decorrente de:

 

  • Acidente Vascular Cerebral (AVC)
  • Traumatismo Cranioencefálico (TCE)
  • Paralisia Cerebral Hemiparética (em crianças)
  • Esclerose Múltipla
  • Tumores cerebrais

Entre outras condições neurológicas.

A TCI é baseada em estudos de neuroplasticidade que demonstram que a prática intensiva e direcionada pode modificar circuitos neurais.

Estudos e autores principais:

  • Edward Taub et al. (1993–2006): estudos com pacientes pós-AVC mostrando melhora significativa na função motora.
  • Wolf et al. (2006) – EXCITE Trial: ensaio clínico multicêntrico demonstrou a eficácia da TCI em pacientes crônicos com AVC.
  • Charles & Gordon (2006): aplicação bem-sucedida da TCI em crianças com paralisia cerebral.
  • Conforto AB, Machado AG, Menezes I, Ribeiro NHV, Luccas R, Pires DS, Leite CC, Plow EB and Cohen LG (2020) Treatment of Upper Limb Paresis With Repetitive Peripheral Nerve ensory Stimulation and Motor Training: Study Protocol for a Randomized Controlled Trial. Front. Neurol. 11:196. doi: 10.3389/fneur.2020.00196
  • Constraint-induced movement therapy for lower extremity use in activities of daily  living in people with chronic hemiparesis: multiple case study

            Natália Duarte Pereira, Jocemar Ilha, Sarah Monteiro dos Anjos and David Morris.                   International Journal of Rehabilitation Research 2022, 45:215–222.

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